Refugiada usa as redes sociais para lutar contra o regime brutal da Coreia do Norte


YeonMi Park, de 21 anos, fugiu da Coreia do Norte depois de ver os amigos e familiares serem mortos. Agora, ela é uma ativista famosa em direitos humanos na Coreia do Sul, aproveitando o poder das mídias sociais.
YeonMi Park fugiu da Coreia do Norte em 2008. Ela tinha apenas 15 anos na época. Mas quando isso aconteceu, ela já tinha visto seu pai ser preso e torturado por três anos e já tinha testemunhado atrocidades, como assistir a melhor amiga de sua mãe ser executada por assistir DVD’s sul-coreanos.
YeonMi e seus pais fugiram para a China, mas, depois que seu pai morreu, ela e sua mãe foram para a Coreia do Sul. Esta decisão por si só, foi carregada de adversidades. Quando estavam cruzando a Mongólia, afim de poder seguir em direção à Coreia do Sul, mãe e filha tiveram que ameaçar suicidar-se para não serem entregues às autoridades chinesas.
Agora, YeonMi tem 21 anos e estuda justiça criminal na Universidade de Dongguk. Ela é também uma convidada frequente em programas de televisão da Coreia do Sul e tornou-se uma espécie de celebridade, conhecida por se manifestar contra a situação na Coreia do Norte. Ela tem uma forte presença nas mídias sociais, usando o FacebookTwitterSkype e WeChat para falar sobre a crise dos direitos humanos na Coreia do Norte para milhares de pessoas. Os vídeos no YouTube, que mostram suas palestras e aparições em programas de TV, têm centenas de milhares de visualizações.

YeonMi Park com seus pais e irmão, EunMi (esquerda); e com seu pai (direita) em Pyongyang, em 2002, antes dele ser preso.
Seu ativismo a colocou na “na lista negra” de Kim JongUn. Mas isso não a amedrontou, pelo contrário, incentivou-a.  “Eu cruzei o deserto de Gobi. Perdi meu pai. Mas eu ainda não sou livre. Eles ainda têm poder sobre mim. Eles ainda tentam me controlar. Até que eu possa ser realmente livre, vou continuar “, ela disse ao site The Telegraph.
Em um vídeo, intitulado “Eu sou uma norte-coreana do novo milênio”, YeonMi fala de forma comovente sobre ser parte de uma geração que começou a questionar o regime de Kim JongUn. Ao contrário de seus pais, esta geração está vivendo em situação de pobreza e dificuldade. Ao ter acesso ocasional a filmes de Hollywood e da Disney, YeonMi percebeu que as pessoas no Ocidente podiam expressar-se de uma maneira que ninguém podia na Coreia do Norte.
Ela diz: “Eu entrei em conflito com a minha identidade – eu sou norte ou sul-coreana? Mas depois percebi que isso não importa. Eu só estou sendo eu mesma. Nada é para sempre – nem mesmo o regime norte-coreano. As pessoas estão mudando de dentro para fora. ” Em uma entrevista ao canal de TV australiano, SBS ONE, YeonMi foi mais longe ao explicar como era crescer no regime de Kim. “Eu pensava que ele podia ler a minha mente o tempo todo, então, eu não podia sequer pensar que ele era ruim”, diz ela. “Eu estava apavorada demais para pensar nele como uma pessoa má.” Seu maior medo em sequer pensar em coisas ruins a respeito do líder norte-coreano naquela época? “Eu posso ser morta por isso.”
“Vou lutar para ver o seu povo livre” (comentário no Facebook de YeonMi)
YeonMi iniciou uma página no Facebook, como “figura pública”, que tem mais de 4.000 “curtidas”. Nele, ela fala sobre seu passado e tenta arrecadar dinheiro para resgatar refugiados norte-coreanos. Em um post, onde ela comemora a captação de recursos para resgatar alguns refugiados, ela escreve: “Se eu precisar atravessar outro deserto de Gobi – ou ter qualquer outro desafio destes na minha vida – sinto que todos vocês estarão comigo”.
Eu não posso acreditar que conseguimos esse objetivo tão rapidamente. Meu coração está cheio de amor e gratidão por sua compaixão.” Lendo sua página, não dá para perceber todas as dificuldades pelas quais ela passou. Está cheia de citações inspiradoras, emojis e fotografias sorridentes. Mas os comentários em seus posts mostram o efeito que YeonMi tem em seus seguidores.  Um dos comentários diz: “Tudo o que posso dizer é que eu vou lutar, lutar com todas as minhas forças para ver o seu povo livre. Livre do suplício provocado pelo regime norte-coreano, livre do inferno na China e livre da manipulação em todas as suas formas“.
Precisamos ajudar os refugiados norte-coreanos
YeonMi, que aprendeu inglês assistindo DVDs da série norte-americana Friends, ingressou recentemente no Twitter. Ela escreve na maioria das vezes em Inglês, uma vez que muitos de seus vídeos e entrevistas estão em coreano, e compartilha links sobre abusos contra os direitos humanos.
Em meio à sensibilização sobre as injustiças que acontecem na Coreia do Norte, ela também fala sobre as ditaduras da China, Cuba, e Rússia e Arábia Saudita. Mas seu principal objetivo é ajudar os refugiados norte-coreanos, por meio da instituição de caridade Liberty in North Korea (Liberdade à Coreia do Norte), da qual é uma proeminente apoiadora.
Fonte: The Telegraph/Sarangingayo


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