Sobe o número de crianças abandonadas em 2014 na Coreia do Sul


O número de bebês abandonados na “caixa de bebês”, operada por uma igreja em Seul desde 2009, para fins humanitários, está subindo rápido, criando um debate acalorado sobre a verdadeira eficácia de suas atividades e a interrupção das mesmas.
De acordo com o Governo Metropolitano de Seul, 220 bebês foram deixados na caixa no ano passado, em comparação com apenas 4 em 2010.
A caixa foi instalada pelo pastor Lee JongRak em uma igreja em Sillim-dong, Seul, que acha a solução melhor do que ver bebês abandonados na porta de escritórios distritais ou orfanatos.
No entanto, nestes quase cinco anos de funcionamento, os críticos dizem que a caixa se tornou “uma causa” para o abandono de bebês.
No ano passado, o total de bebês abandonados na cidade foi de 228, ou seja, quase todos vieram da “caixa de bebês”. “É porque as mães confiam na ‘caixa de bebês’Elas acreditam que seus bebês serão bem cuidados“, disse um especialista anônimo.
O Pastor Lee acha que a caixa está servindo ao seu objetivo. “A função da ‘caixa de bebês’ é, certamente, salvar vidas.” Muitos concordam com ele.
No entanto, os críticos veem o método como “encorajador” para as jovens mães abandonarem os seus bebês.
Eu respeito a intenção da igreja“, disse o Prof. Noh HyeRyeon da Universidade Soongsil em Seul. “Mas isso incentiva as mulheres a abandonar os bebês. O que nós precisamos é de um sistema de apoio que incentive as mães a manterem seus bebês, e não abandoná-los“.
O Pastor Lee argumenta que o aumento se deu por causa da revisão da lei de adoção realizada em 2012.
A revisão da lei obriga a mãe a revelar a sua identidade, a fim de que seu bebê seja adotado.
Estudos mostram que a maioria das mães que abandonam seus filhos são adolescentes, e muitas vezes os bebês são prematuros ou com alguma deficiência. O pessoal da Igreja disse que já ocorreram casos de algumas mães terem vindo buscar seus bebês de volta, mas isso é muito raro.
Atualmente, novos bebês que chegam à caixa ficam na igreja por três a quatro dias antes de serem transferidos para um hospital para vistoria médica e receberem os cuidados necessários. O Governo Metropolitano de Seul vai à igreja duas vezes por semana para recolher os bebês.
Alguns bebês ficam um tempo na igreja, principalmente por razões de saúde, mas quase 10 estão realmente vivendo lá. Um centro médico no bairro envia pediatras e outros funcionários para realizar exames e procedimentos nas crianças.
A “caixa de bebês” denota o forte preconceito social contra filhos fora do casamento na Coreia, de acordo com especialistas.
As solteiras grávidas muitas vezes abortam seus bebês ou se escondem para ter seus bebês, sem nem mesmo deixar que suas famílias tomem ciência da situação.
Fonte: Korea Times/Sarangingayo

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