Médicos não especializados realizam cirurgias plásticas ilegalmente na Coreia do Sul


Um grupo de cirurgiões plásticos alegou na última segunda-feira, 02 de fevereiro, que nove em cada dez médicos trabalhando em clínicas de cirurgia plástica não são especialistas, ou não fizeram residência nesta área.
A afirmação foi feita pela Associação Coreana de Cirurgiões Plásticos (KAPS) após a morte cerebral de uma paciente chinesa durante uma cirurgia, no dia 27 de janeiro. Este é mais um, em uma série de acidentes e tragédias envolvendo cirurgias plásticas na Coreia do Sul.
De acordo com as leis médicas coreanas, médicos, que não fizeram treinamento de residência com cirurgiões plásticos, não podem se autodeclarar “especialistas em cirurgia plástica” em letreiros de clínicas ou websites. Mas, vários desses médicos sem especialização fazem uso de artimanhas para se autopromoverem como  “Especialistas internacionais em cirurgia plástica” ou “cirurgiões plásticos”, e saírem impunes.
É como escrever uma coluna para um jornal sobre futebol com apenas um conhecimento básico sobre esportes“, declarou o cirurgião Park Jun ao The Korea Times.Como cirurgiões, lidamos com momentos de vida ou morte, esse é um problema que gera um grande risco“.
Para aqueles que não conhecem o sistema médico coreano, um médico deve fazer quatro anos de treinamento para se tornar especialista numa determinada área. “Durante os quatro anos na faculdade de medicina todos os estudantes, durante um semestre, fazem um curso de cirurgia plástica. Este é basicamente todo o conhecimento deles (os não especialistas) sobre o assunto“, afirmou outro cirurgião que preferiu não revelar o nome.
Durante uma investigação interna no ano passado, a KAPS descobriu que alguns médicos intencionalmente injetavam grandes quantidades de anestésicos em pacientes para permitir que secretamente outros médicos conduzissem, de forma ilícita, as operações.
A associação alegou que muitas clínicas fazem isso para conseguir lidar com a grande demanda devido à propaganda em massa dos cirurgiões famosos que eles possuem, e que boa parte dos médicos, que trabalham “por debaixo dos panos”, não são suficientemente qualificados, adicionou.
Muitos dos cirurgiões famosos que aparecem na televisão e letreiros, raramente fazem essas cirurgias“, informou outro cirurgião que preferiu não ser identificado.
No entanto, clínicas vêm se mostrando contra a introdução de regulamentos mais rigorosos para esse problema, alegando que tais normas poderiam infringir a liberdade dos médicos.
Ministério da Saúde e Bem-Estar informou que, em breve, serão introduzidas medidas para impedir que esses médicos continuem com suas práticas ilegais. Funcionários do governo e especialistas agora discutem detalhes sobre o assunto.
O número de estrangeiros que buscam tratamento médico na Coreia do Sul subiu de 122.297 em 2011 para 211.218 no ano passado. A receita que era de ₩54,7 bilhões em 2009 pulou para ₩393,4 bilhões em 2013, aproximadamente R$135,9 milhões e R$977,4 milhões de reais, respectivamente. A cirurgia plástica é a segunda modalidade mais procurada entre esses visitantes, totalizando 8,6%, ou 24.074 de um total de 211.218 pacientes estrangeiros.
“Esses recentes incidentes têm trazido uma péssima imagem aos cirurgiões plásticos coreanos. Veremos em breve o número de pacientes decair se o governo continuar falhando em informar ao povo quem são os verdadeiros e falsos especialistas”, disse Park.
Fonte: The Korea Times/Sarangingayo.

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